Carlos III no Congresso. Relação entre Reino Unido e EUA "é eterna, insubstituível, inquebrável"

Carlos III no Congresso. Relação entre Reino Unido e EUA "é eterna, insubstituível, inquebrável"

De visita a Washington, Carlos III discursou no Congresso norte-americano realçando a "parceria inigualável" entre o Reino Unido e os Estados Unidos, desde a Declaração da Independência.

Inês Moreira Santos - RTP /
Henry Nicholls - Reuters

Rei Carlos III começou por “agradecer ao povo americano por nos receberem nos Estados Unidos para marcar esta data tão importante da Declaração da Independência”.

“Estamos em tempos de grandes incertezas, de conflitos na Europa, no Médio Oriente. O que traz imensos desafios à comunidade internacional, cujo impacto se sente nas comunidades e nos nossos países”.

Recordando a tentativa de ataque a Donald Trump, no fim de semana, o monarca afirmou que “tais atos de violência nunca serão bem sucedidos”“Sejam quais forem as nossas diferenças, desentendimentos, continuamos unidos no nosso compromisso de manter a Democracia, de proteger todos os nossos povos do mal e salientar a coragem daqueles que diariamente arriscam a vida ao serviço dos nossos países”.

“Aqui estou hoje com o maior respeito pelo Congresso dos Estados Unidos”, afirmou recordando que a mãe, a Rainha Isabel II, esteve também no Congresso em 1991.

Apesar das diferenças, Carlos III reconheceu que as duas nações “têm a mesma mentalidade” e “conseguiram sempre caminhar lado a lado”.

“A ligação entre o Reino Unido e os Estados Unidos é eterna, insubstituível, inquebrável”, reafirmou. 

Os fundadores dos Estados Unidos eram, nas palavras do monarca, “rebeldes com causa, muito imaginativos”. 
Carlos III apela à lealdade norte-americana para com aliados
Durante o discurso no Congresso dos EUA, Carlos III apelou aos Estados Unidos para que se mantenham leais aos históricos aliados ocidentais, numa altura em que a "relação especial" com o Reino Unido está tensa devido às fortes tensões em função das guerras no Irão e na Ucrânia.

A aliança entre os dois países "não pode assentar em sucessos passados", declarou o monarca britânico na terça-feira aos legisladores norte-americanos simpáticos para com a sua causa, depois de ter sido recebido mais cedo nessa manhã por Donald Trump com uma pompa invulgar na Casa Branca.

"Os desafios que enfrentamos são demasiado grandes para qualquer nação enfrentar sozinha", afirmou Carlos III, instando ambos os países a defenderem os valores partilhados e a resistirem aos apelos para um recuo "cada vez maior para o isolacionismo".

Carlos III é apenas o segundo monarca britânico a discursar no Capitólio, em Washington, depois de Isabel II, em 1991.

O Rei pediu ainda aos membros do Congresso e aos senadores que demonstrassem "uma determinação inabalável" na defesa da Ucrânia, dado que os europeus lamentam o afastamento de Washington do apoio a Kiev contra a Rússia, desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca.

Este ano comemoram-se os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que marcou a rutura entre as colónias britânicas e a coroa.

A visita do monarca é marcada por atritos entre Washington e Londres, sobretudo devido às críticas de Trump ao Governo britânico por não se querer envolver militarmente na guerra com o Irão e na reabertura do estreito de Ormuz, bloqueado parcialmente pela República Islâmica.

Na quarta-feira, o casal real tem viagem marcada para Nova Iorque, onde é esperada uma visita ao memorial dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

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